quinta-feira, 3 de setembro de 2026

A ENGENHARIA DAS SOMBRAS: O que a Ciência Política Nos Ensina Sobre a Crise da Instituições Brasileiras































Fig. 1. A Engenharia das Sombras. Composição digital que evoca o crepúsculo das instituições imperiais. O Decreto nº 523 de 1847 materializa-se em meio às ruínas do Parlamento e à poeira do tempo, enquanto o feixe de luz projeta a silhueta das Armas Republicanas — uma alegoria visual sobre a persistência dos nossos pecados constitucionais originais. (Concepção artística do autor com auxílio da IA Copilot).

Texto: *Ubirajara Rodrigues da Silva

Uma análise histórica sobre a transição do Império à República e os pecados originais que moldam a nossa atual turbulência institucional.
Categoria: Ciência Política / História Constitucional / Divulgação Científica
Tempo de Leitura: 8 minutos

1. O Organismo Social e a Engenharia das Leis

A política não se reduz a um embate superficial de paixões partidárias ou à disputa fisiológica pelo poder; ela é, na essência, uma ciência dedicada ao desenho e à aplicação de tecnologias de engenharia social. Assim como as ciências biomédicas projetam protocolos e imunizantes para resguardar o organismo vivo, a Ciência Política elabora constituições, pesos e contrapesos para viabilizar e estabilizar a vida em coletividade. Sob essa ótica analítica, o diagnóstico da perene crise de representatividade e da paralisia institucional do Brasil contemporâneo revela um erro crônico no desenho de nossas estruturas de poder, cujas fraturas remontam às contradições do nosso passado monárquico.

2. O Código de Drácon nos Trópicos: A Lei como Contenção Social

A instrumentalização da lei como mecanismo de contenção social e salvaguarda de privilégios oligárquicos não é um fenômeno exclusivo da nossa modernidade periférica. Em 621 a.C., Drácon de Atenas redigiu o primeiro código escrito daquela Cidade-Estado. Embora celebrado por subtrair as normas do monopólio estritamente oral da aristocracia dos Eupátridas, o código draconiano imortalizou-se por seu rigor implacável, punindo quase toda infração com a morte para sufocar o inconformismo das classes subalternas. Guardadas as devidas proporções históricas, uma lógica análoga operou no Brasil Império. Sob o verniz de uma civilidade letrada e parlamentar, erguia-se uma "aristocracia escravocrata" — conceito central na obra de historiadores como Ilmar Rohloff de Mattos. O aparato jurídico imperial, corporificado em dispositivos de exceção como a Lei de 10 de junho de 1835 (que impunha ritos sumários e a pena capital a cativos sublevados), funcionava como um "código draconiano" moderno. A positivação do direito nos trópicos não visava à universalização da cidadania, mas à institucionalização da violência estatal para blindar a propriedade privada sobre a força de trabalho escrava.

3. A "Democracia Coroada": Do Conselho de Anciãos à Monarquia Republicana

Fig. 2. Decreto nº 523, de 20 de julho de 1847. Documento oficial da Coleção de Leis do Império do Brasil que institui o cargo de Presidente do Conselho de Ministros e formaliza o parlamentarismo no Segundo Reinado. (Fonte: Acervo Histórico / Arquivo Nacional).

É no cerne dessa brutal contradição que o Brasil instituiu, pelo Decreto nº 523 de 1847, a presidência do Conselho de Ministros, consolidando o seu "parlamentarismo às avessas". Ao contrário do modelo britânico, no qual o Parlamento limita o monarca, o arranjo brasileiro utilizava o Poder Moderador como o centro de gravidade do sistema, ditando o revezamento artificial entre as agremiações Liberal e Conservador. Contudo, conforme detalhado por João Camillo de Oliveira Torres em seu clássico A Democracia Coroada, essa engenharia política possuía uma sofisticação teórica singular: o Poder Moderador foi desenhado como um "poder neutro", um aparato técnico de absorção de atritos capaz de impedir que o Executivo e o Legislativo entrassem em colapso recíproco. Esse ecossistema era sustentado por um Senado vitalício que, na análise de Oliveira Torres em Os Construtores do Império, funcionava como uma magistratura de Estado. Como a expectativa de vida no século XIX era baixa, a vitaliciedade era biologicamente breve. O "Conselho de Anciãos" imperial, blindado das pressões eleitorais imediatas e situado no crepúsculo de suas vidas públicas, desfrutava de um desprendimento que permitia debater o projeto de nação a longo prazo — ideal reformista e gradualista que inspirou intelectuais como Joaquim Nabuco, que, na sua obra em Um Estadista do Império, deixa claro que D. Pedro II operava com uma ética de dever tão republicana, desprovida de vaidades dinásticas, que o imperador era, paradoxalmente, o cidadão mais republicano do país. Nabuco via na Monarquia a única tecnologia política capaz de conduzir uma transição pacífica e sem traumas para o fim do escravismo, rumo a uma espécie de "monarquia republicana" ou "coroa democrática".

4. O Espelho do Parlamento: Entre o Refinamento e o Fisiologismo

Mesmo essa sofisticada arquitetura, todavia, não era imune ao fisiologismo. Em suas memórias em Oito Anos de Parlamento, Afonso Celso despiu-se do ufanismo nacionalista para atuar como um arguto observador da sociologia política de sua época. Ele registrou com fina ironia o comportamento muitas vezes tumultuado dos parlamentares do Segundo Reinado, explicitando o abismo existente entre o refinamento dos debates na Corte e a realidade de um país estruturalmente cindido.

5. O Pecado Original da República: Da Centralização à "Monarquia Presidencial"

A ruptura republicana em 1889 fragmentou traumaticamente essa centralidade institucional. Ao importar de forma acrítica o presidencialismo federativo norte-americano, o Brasil substituiu o Estado Unitário por uma descentralização predatória. Como bem demonstrou Raymundo Faoro em sua tese sobre o estamento burocrático, a eliminação do poder regulador central entregou o controle territorial aos chefes locais, inaugurando o mandonismo do coronelismo. João de Scantiburgo, em A Crise da República Presidencial, demonstra de forma magistral que a eclosão da "política dos governadores" na República Velha foi o arranjo espúrio encontrado para suprir o vazio deixado pelo Poder Moderador. Sem uma instância arbitral neutra, o governo central passou a permutar verbas e impunidade pelo apoio cego das bancadas estaduais, forjando o que Hindemburgo Pereira Diniz conceituou como uma "monarquia presidencial" — um sistema hipertrofiado onde o governante acumula prerrogativas quase absolutistas, tornando-se refém da barganha permanente para viabilizar sua sobrevivência política.

6. O Supremo como Árbitro e o Vazio da Legitimidade

Na Nova República, o desenho constitucional buscou preencher esse vácuo sistêmico transferindo a tutela da estabilidade para o Supremo Tribunal Federal (STF). Na dinâmica contemporânea, o STF passou a exercer, por vias transversas, o papel prático de um Poder Moderador coletivo. Ocorre que, como adverte o historiador José Murilo de Carvalho ao analisar os paradoxos da cidadania no Brasil, a legitimidade de uma corte constitucional repousa estritamente na percepção de sua neutralidade técnica e distanciamento do jogo partidário. Ao ser arrastada para o epicentro das paixões políticas e sofrer um severo processo de descrédito público, a Suprema Corte perde a autoridade de arbitragem legítima, deixando a democracia à mercê de crises cíclicas e do veto mútuo entre as instituições políticas.  

7. A Degradação Senatorial e o Horizonte de Curto Praz

Esse cenário de anomia é agravado pela profunda degradação do perfil do Senado contemporâneo. O aumento expressivo da expectativa de vida transformou a maturidade biológica em longevidade ativa, mas esse bônus temporal não se traduziu em acúmulo de sabedoria institucional ou elevação humanitária. Embora amparados pelo mandato mais longo do sistema republicano, muitos senadores hoje agem sob o signo do pragmatismo miúdo e do curto prazo. Distantes da estatura filosófica que a investidura tradicionalmente pressupõe, reduzem-se a defensores de interesses de grupos econômicos ambiciosos e gestores de emendas orçamentárias, desonrando a vocação histórica da câmara alta como espaço de reflexão ponderada da nação.

8. Alternativas de Desenho Constitucional: O Legado Anglo-Canadense

Diante do esgotamento desse modelo bicameral, a Ciência Política nos oferece o instrumental teórico para deduzir reformas estruturais ousadas. Se o Senado contemporâneo alienou sua função moderadora para converter-se em trincheira de oligarquias regionais, a sua extinção e a transição para o unicameralismo surgem como caminhos viáveis de reorganização do Estado. Um Congresso unificado, estruturado em consonância com as representações sociais reais e as forças vivas da sociedade civil, seria capaz de responder de forma ágil, transparente e direta ao bem comum, resgatando a missão desenvolvimentista do Poder Legislativo.

A viabilidade de conciliar governança geral unificada, autonomia regional e lisura democrática encontra respaldo empírico no modelo anglo-canadense. O Canadá, ao estruturar uma federação fortemente centralizada em sua origem e gerida pelo parlamentarismo de Westminster, comprova que as demandas das províncias podem ser canalizadas de forma transparente e estável, sem que o tecido político seja capturado pelo clientelismo ou pelo arbítrio que historicamente assolam o presidencialismo brasileiro.

O diagnóstico científico da crise nacional demonstra, em última análise, que o Brasil não padece de uma disfunção moral atávica de seu povo, mas sim de graves e sucessivos erros de engenharia em suas instituições de poder. Superar a paralisia do presente e edificar uma nação de fato brasileira exige a coragem de romper com fórmulas republicanas obsoletas e aplicar, com rigor conceitual e desprendimento político, um novo desenho constitucional verdadeiramente comprometido com a coletividade.

*Historiador e artista plástico, professor de arte e cultura; diretor do IBMult

9. Referências Bibliográficas 

 CARVALHO, José Murilo de. Cidadania no Brasil: o longo caminho. 25. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018.

CELSO, Afonso. Oito Anos de Parlamento: reminiscências e notas. Brasília: Senado Federal, 2003.

DINIZ, Hindemburgo Pereira. A Monarquia Presidencial. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

FAORO, Raymundo. Os Donos do Poder: formação do patronato político brasileiro. 5. ed. São Paulo: Globo, 2012.

MATTOS, Ilmar Rohloff de. O Tempo Saquarema: a formação do Estado imperial. 5. ed. São Paulo: Hucitec, 2004.

NABUCO, Joaquim. Um Estadista do Império. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1975.

SCANTIBURGO, João de. O Poder Moderador: história e teoria de um direito político. São Paulo: LTr, 1980.

SCANTIBURGO, João de. A Crise da República Presidencial. São Paulo: Pioneira, 1991.

TORRES, João Camilo de Oliveira. A Democracia Coroada: Teoria de Estado no Império do Brasil. Rio de Janeiro: José Olympio, 1957.

TORRES, João Camilo de Oliveira. Os Construtores do Império: Ideais e Lutas do Partido Conservador Brasileiro. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1965.

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domingo, 6 de julho de 2025

LÍNGUA ESTRANGEIRA ATRAPALHA QUEM ESTÁ NA BASE DA PIRÂMIDE SOCIAL DE ASCENDER AOS CURSOS SUPERIORES NESTE PAÍS?


Ubirajara Rodrigues da Silva*

Significativa quantidade de candidatos e candidatas às vagas para os cursos de graduação e pós-graduação (mestrado e doutorado) no Brasil, está desistindo porque não domina inglês, francês ou espanhol. Lá na Inglaterra, França ou Espanha, nesses países e em tantos outros países soberanos e desenvolvidos, principalmente naqueles que não foram colonizados, inexiste esse tipo de exigência de língua estrangeira para quem estuda poder prosseguir na trilha do conhecimento. Língua estrangeira deveria ser importante, mas enquanto reforço cultural, menos empecilho para quem não tem o dom linguístico ou não quer saber de aprender língua estrangeira alguma, porém apenas saber usar a língua nacional o melhor possível. Aqui entre nós, língua estrangeira somente seria eliminatória em se tratando de áreas envolvendo relações internacionais, cujo uso seja imprescindível, como por exemplo na diplomacia.

Estamos no Brasil, e, pelo que se sabe, nos comunicamos internamente via somente um idioma: o português, diferentemente de vários países como por exemplo no continente africano, que por conta da colonização inglesa ou francesa, ou mesmo o português, por lá, alguns desses países usam cotidianamente a língua invasora e suas tradicionais línguas – ironicamente por muitos anos encaradas como dialetos –, por isso são povos chamado de bilíngues, mas no Brasil isso nunca existiu, a não ser os povos originários que se comunicam em suas línguas, mas que também aprendem a língua nacional, o português.  

Ao se deparar com essa obrigatoriedade nas universidades, se tem a impressão que o nosso país perdeu a força de sua língua nacional, que, também possui a função de unir culturalmente o Brasil. Ninguém que não vai prestar prova para uma área cuja língua estrangeira seja imprescindível, deveria passar pelo vexame de ser barrada ou barrado na universidade apenas porque não conseguiu pontos suficientes em língua estrangeira (principalmente inglesa). Nisso, as classes de baixa renda ficam em grande prejuízo, devido não possuírem dinheiro nem apoio de ninguém para desde criança terem estudos extras de línguas, principalmente inglesa. Isso para a classe média é fácil, e, muito mais fácil para uma minoria rica, levando em conta que muitas das suas criancinhas estudam em colégios caríssimos, habituados a praticar intercâmbios internacionais, que lhes proporcionam fluência em línguas, principalmente inglesa. Quando chega o tempo de cursar a universidade, a proficiência em línguas desse pessoal é plena, que por intermédio de comprovações com facilidade o isenta dos exames de línguas, coisa que quase totalidade do pessoal pobre, não tem condições para tal, tendo que se arriscar à eliminação, por não ir bem no exame de língua estrangeira. Isso se transformou numa situação dramática, silenciosa. Ninguém fala a respeito. Nenhum político até hoje sequer apresentou projeto de lei reguladora dessa questão.

Sabe-se, nesse silencio, que, uma das desculpas para permanência da obrigatoriedade de língua estrangeira – quesito eliminatório – é, que, material literário de pesquisa, se encontra em língua estrangeira, principalmente em inglês. Ora, diante disso, em contrapartida, cogita-se, em tendo lei reguladora, obrigar-se-ia a tradução de obras estrangeiras passíveis de pesquisas, proporcionando assim oportunidade para profissionais da tradução juramentada poderem atuar junto aos órgãos públicos da educação e cultura, editoras, e, setores afins.

É necessário acabar com essa barreira linguística dentro deste país monolíngue. Cogita-se que no Brasil, apenas 1% da população fale fluentemente inglês. Quanto fluência em [i]outras línguas, o percentual deva ser bem menor. Quem vai acabar com essa imposição que atrapalha, principalmente quem está na base da pirâmide social de ascender aos cursos superiores neste país?


*Artista plástico e historiador


segunda-feira, 7 de abril de 2025

ISOLEMOS OS ESTADOS UNIDOS. ELES SE VIRAM SOZINHOS ENTRE ELES NUMA REDOMA! Conversa entre amigos do bloco unidos de la ficção.


- Deixe os Estados Unidos se virar sozinho, pô!

- Deixemos de lado os princípios comerciais regidos até agora nas relações com eles!

- Negociemos entre nós mesmos sob novos princípios comerciais. Se eles quiserem entrar que entrem, mas sob novas diretrizes humanitárias.

- A economia deve vigorar sob a égide colaborativa sem moeda hegemônica pendente para beneficiar um lado somente como tem sido até agora com o dólar que verte lucros extorsivos para USA...

- Que as nossas moedas alcancem maior poder de compra nos limites dos nossos países

- Os estadunidenses que se virem!

- Isolem-se!

- Temos condições de nos isolarmos deles.

- Ignoremos esses governos insensatos. Que se atritem entre eles...

- Bomba atômica? Isso foi somente sobre o indefeso Japão daquela época!

- Eles não são donos nem polícia do mundo!

- Seria melhor construírem uma redoma de proteção ultra resistente, porque não teriam dispositivos antiaéreo de defesa capazes de bloquear inúmeros mísseis sendo disparados sobre eles numa sequência milionésima de segundos ou em menos tempo entre um disparo e outro.

- Nosso público consumidor soma bilhões de pessoas ao redor do mundo!

- Deixemos os Estados Unidos se ferrar lá entre a ambição doentia deles!

- Atualizemos nossos mercados comuns em função de uma Nova Ordem Mundial de fato...

- Não nos preocupemos se USA quer ou não ingressar nisso!

- Não pode somente os ricos usufruírem do bem-estar!

- Abaixo a hipocrisia liberal de mercado: maldade que mata de fome 
milhões de pobres pelo mundo afora! 

terça-feira, 30 de abril de 2024

AGENTES HUMANITÁRIOS INTERNACIONAIS DEVERIAM OCUPAR GAZA PARA EVITAR QUE ISRAEL MATE MILHARES DE INOCENTES

    Por causa da morte de mil e poucos israelitas, vítimas de ataque do Hamas, Israel que já matou por volta de 30 mil habitantes de Gaza, maioria crianças e mulheres, a qualquer momento pode matar mais inocentes em Rafah, no extremo-sul da Faixa de Gaza, onde centenas de milhares de pessoas caminham desnorteadas a procura de comida e abrigos. Se vacilar, o holocausto do povo de Gaza pode chegar a milhões de mortes desnecessárias. 
   As ditas potências ocidentais muito falam pela paz mas continuam financiando armas letais. 
    A atitude mais eficaz para inibir os ataques seria esses países mandarem agentes humanitárias ocuparem Gaza a fim de prestar diretamente assistência humanitária ao povo palestino de Gaza em apuros.

quarta-feira, 29 de novembro de 2023

A VIOLÊNCIA ESTÁ NO PROJETO CAPITALISMO - a voz da experiência de um militante do Movimento das Comunidades Populares (MCP), José Bezerra de Araújo, morador de Manguinhos, RJ.

 


“A gente vive um modelo falso de sociedade no qual, até essa palavra, sociedade, é uma mentira. No sistema que a gente vive tudo é feito para controlar o povo com mentiras. Mentiras que existem para as pessoas não verem as causas dos problemas. As pessoas só conseguem ver as consequências dos problemas que vivemos. A situação é muito complexa. O modelo econômico é esse que está aí mesmo. No projeto capitalista está a violência. A violência é a forma de manter as pessoas acuadas sem capacidade de reagir, incapaz de fazer alguma coisa. Isso aí está no projeto capitalista. Então, todos que entram para administrar por meio de eleições, é, para administrar isso. As eleições são uma farsa sobre a democracia no Brasil. Nunca existiu democracia no Brasil. Todas as pessoas que assumem a administração pública até falam nesse assunto antes da eleição, mas depois que chegam lá, trabalham nesse projeto capitalista. Então, esse projeto capitalista, é, cada vez mais, arrochar um pouquinho mais, e, a violência é uma forma de diminuir essa população sobrante, a qual o sistema não está mais precisando. Quanto mais enfraquecer essas classes, melhor para o controle. Diante de tudo isso, é muito importante termos os pés no chão, e, se quiser fazer alguma coisa, é um trabalho a longo prazo. Eu não vejo solução a curto prazo. Esse tem de ser um projeto a longo prazo, que é preciso ir para as bases. Semana passada teve um economista do IPEA aqui (Carlos Ocké), Ele foi muito claro. Ele disse que só a sociedade pode dar jeito nessa situação que a gente atravessa. Estou com os pés no chão para trabalhar. Estou com 70 anos, não sei por quanto mais tempo eu vou viver, mas enquanto eu respirar, eu vou está trabalhando para isso aí. Eu sei que e difícil, mas mais difícil ainda é não fazer nada.” 

Palavras de José Bezerra de Araújo, Conselheiro do CGI e militante do   MCP Manguinhos, na ENSP/Fiocruz, na reunião preparatória da oficina "Território, violências e cidadania” do grupo de trabalho da Fiocruz, construindo diretrizes para definição de uma política desta instituição para tratar das relações entre saúde e os diferentes tipos de violências que afetam a vida no Brasil. Mais um pouco da voz do Bezerra em https://www.youtube.com/user/enspcci

Entrevista ao Instituto de Estudos Libertários

  


segunda-feira, 27 de novembro de 2023

PASSAGEM SUBTERRÂNEA ESTAÇÃO DO METRÔ FLAMENGO/MORRO AZUL: DO DESCASO DO METRÔ RJ À INDIFERENÇA DA POPULAÇÃO

     Atualmente esta passagem é desprezada tanto pela Companhia do Metropolitano do Rio de Janeiro, que tendo responsabilidade administrativa sobre a área da antiga estação Morro Azul e atual Flamengo, talvez por discriminação social, não dá o tratamento adequado, ao contrário: por muitas vezes, arbitrariamente a mantém fechada, assim como também, significativo número de moradores da favela, que, talvez deixaria de arriscar suas vidas atravessando por cima pela Rua Paulo Sexto, se acontecesse uma tragédia. Isso já aconteceu, mas caiu em total esquecimento: foi o caso do Sr. Marinho que costumava sempre usar esse subterrâneo, até que o Metrô alegando segurança o fechou em 2003 e construiu uma tosca escada ao lado. Foi aí que o Sr. Marinho, ao atravessar a avenida sofreu uns arranhões de um veículo que o acertou. Foi parar no pronto-socorro, mas após esse incidente, adoeceu, vindo a falecer pouco tempo depois. Imagina-se que tudo isso veio a acontecer como decorrência do fechamento da passagem subterrânea. Na época o Sr. Marinho já era idoso. Eu o conheci, e, lembro de ter sido muitas as vezes que encontrava com ele passando com segurança pelo subterrâneo, e na caminhada até à estação do Metrô dava tempo para um bom papo. Mas isso são água passadas que não movem moinhos. O certo foi que, anos depois, quando se resolveu reabrir de má vontade a passagem subterrânea, infelizmente grande maioria dos passantes já estava condicionada a atravessar a rua em cima. Daí, com frequência, a administração da estação, sem explicar por qual motivo, não abre a passagem, assim colocando em risco principalmente as vidas das pessoas que ainda passam por alí. 

sexta-feira, 26 de junho de 2020

UM VÍRUS VEM LOUCO (fazendo revolução)



UM VÍRUS VEM LOUCO
de Ubirajara Rodrigues da Silva

OI, GENTE, O PLANETA TERRA ESTÁ PENSANDO NOS JARDINS QUE DEIXAMOS DE PLANTAR
SALGAMOS COM LÁGRIMAS TANTA BELEZA
SUFOCAMOS SEM PENA COM VÉU MORTAL A NATUREZA DE DEUS, DE TANTOS EUS
COISA QUE ESTÁ SENDO DESTRUÍDA COM ENORME INSENSATEZ, DA RAZÃO

VEM, VAMOS OLHAR PROFUNDO NOS OLHOS
ENTRELAÇANDO NOSSA ENERGIA
VEM, NA SONORIDADE DO AMOR
QUE QUER CANTAR, QUE QUER DANÇAR NA LEVEZA DO SER
BELEZA NATURAL, LIBERDADE É LEMA NA CABEÇA DA GENTE DE PAZ

VEM, VAMOS TRANSFORMAR O ÓDIO
DESCARREGAR A DOR
COLOCAR A VIDA NO PÓDIO
INSPIRANDO QUEM SOFREU E CAIU A LEVANTAR E LUTAR FEITO LUZ
QUE QUER CANTAR, QUE QUER DANÇAR NA LEVEZA DO SER
BELEZA NATURAL, LIBERDADE É LEMA NA CABEÇA DA GENTE DE PAZ

OI, GENTE, ESTÁ ROLANDO AGORA O TEMPO DO “NOVO NORMAL” (NUEVO ORDEN MONDIAL)
PRA TODO MUNDO EQUALIZAR OS CORAÇÕES
EVOLUIR
É ALGO CHAMANDO ATENÇÃO PRO VALOR DO AMOR
SABE QUEM É?
É UM NOVO VÍRUS QUE VEM LOUCO FAZENDO REVOLUÇÃO