domingo, 6 de setembro de 2026

COLONIALISMO LINGUÍSTICO: A Língua Estrangeira como Mecanismo de Exclusão Social no Acesso ao Ensino Superior Brasileiro

                      "A pressão terrível do império anglo-americano sobre a língua nacional:                                                  um emudecimento violento que fere de morte a soberania do nosso povo na                                          base da pirâmide social."

Ubirajara Rodrigues da Silva

O Brasil se autodescreve constitucional e culturalmente como uma nação monolíngue. O artigo 13 da nossa Carta Magna estabelece de forma categórica que a língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil, atuando como o principal vetor de unidade nacional. No entanto, o desenho institucional dos processos seletivos para a graduação e, de forma ainda mais drástica, os exames de proficiência para a pós-graduação (stricto sensu) revelam uma contradição profunda e violenta. A exigência eliminatória de proficiência em línguas estrangeiras (com esmagadora precedência para o inglês) funciona como um filtro invisível. Longe de ser um mero instrumento acadêmico neutro, a proficiência linguística opera como um mecanismo de reprodução de privilégios de classe, impedindo sistematicamente que a base da pirâmide socioeconômica ascenda aos extratos mais altos do conhecimento científico.

Como aponta Pierre Bourdieu em A economia das trocas linguísticas, o sistema educacional frequentemente opera uma "violência simbólica", convertendo diferenças econômicas em diferenças de mérito acadêmico. A universidade brasileira pressupõe um "capital cultural herdado" que o próprio Estado, através da escola pública precarizada, recusa-se a fornecer. O resultado é um silenciamento dramático: uma significativa quantidade de candidatos e candidatas às vagas de mestrado e doutorado está desistindo de prosseguir na trilha do conhecimento simplesmente porque não domina o inglês, o francês ou o espanhol.

Do Diretório de Pombal ao Decreto de D. João VI:                           As Raízes da Opressão

Para compreender a gravidade desse cenário, é preciso resgatar as raíces históricas da violência linguística planejada pelo Estado. No século XVIII, o português não era a língua mais falada no território nacional; populações indígenas, africanas escravizadas e colonos comunicavam-se cotidianamente através da Língua Geral (baseada no Tupi, como o Nheengatu). Em 1757, o Marquês de Pombal assinou o Diretório dos Índios, cujo parágrafo 6º proibiu oficialmente o uso e o ensino de qualquer língua que não fosse o português europeu. O objetivo era puramente geopolítico e de controle fiscal.

O colonialismo linguístico ligado ao inglês iniciou sua fase institucional logo depois, em 22 de junho de 1809, quando D. João VI assinou o decreto criando as primeiras cadeiras de ensino de inglês no país. O motivo era atender aos interesses da elite mercantil britânica após a abertura dos portos. Esse processo evoluiu para o que Robert Phillipson conceitua em Linguistic Imperialism como a imposição estruturada de uma língua estrangeira para garantir a subordinação de uma periferia global aos interesses das potências centrais, transformando a língua do colonizador na única via legítima de validação intelectual.
 
 O DNA da Subordinação: A Fantasia das Cores Imperiais e o Mimetismo Republicano 

 Essa subordinação intelectual e estética está inscrita na própria heráldica nacional, marcada por uma profunda mistificação histórica. A começar pela bandeira imperial desenhada por Jean-Baptiste Debret in 1822: ao contrário do mito que é ironicamente e desinformadamente repassado ao povo de que o verde representa as nossas matas e o amarelo o nosso ouro, as cores simbolizam estritamente a genealogia europeia. O verde evoca a Casa de Bragança (de D. Pedro I) e o amarelo representa a Casa de Habsburgo (de Dona Leopoldina). O Brasil independente nasceu escondendo sua própria terra atrás das cores dinásticas europeias.

Sécules depois, em 15 de novembro de 1889, o mimetismo colonial atingiu seu ápice quando a primeira bandeira da República provisória (desenhada pelo republicano Lopes Trovão e hasteada por Ruy Barbosa) foi moldada como uma cópia literal, em verde e amarelo, da bandeira dos Estados Unidos. Embora tenha sido vetada quatro dias depois pelo Marechal Deodoro da Fonseca (que preferiu resgatar o losango e o fundo verde imperial, carimbando-o com o lema positivista francês "Ordem e Progresso"), o impacto dessa cópia norte-americana ainda gera espanto e alimenta debates instigantes sobre a nossa identidade visual na cultura digital, como nesta discussão aberta sobre a primeira bandeira da República no Reddit. Mesmo de curta duração, esse espírito de decalque estético de Washington já havia sido gestado no ano anterior por Júlio Ribeiro (filólogo e filho de estadunidense), cuja proposta geométrica idêntica foi acolhida integralmente como a bandeira do estado de São Paulo.

Projetada pelo jornalista Júlio Ribeiro (que era, sintomaticamente, filho de um cidadão estadunidense, conforme aponta a sua biografia oficial na Academia Brasileira de Letras) a bandeira paulista trouxe as listras horizontais e o cantão militar de Washington para o coração da província que se tornaria a "locomotiva econômica" do país. São Paulo liderou a importação do modelo corporativo e acadêmico norte-americano, empurrando para o restante da nação a lógica de que o progresso fala inglês.

O Confronto Surdo de Poder e o Mito do "English-Only"

A intensificação definitiva desse processo ocorreu após a Segunda Guerra Mundial, impulsionada pela transição da hegemonia britânica para a norte-americana. Configurou-se um confronto surdo de poder colonizador: o inglês de Oxford permaneceu em exames tradicionais como o ápice do fetiche elitista, enquanto o inglês dos Estados Unidos engoliu o cotidiano através do cinema, do consumo e da tecnologia.

A hipocrisia desse imperialismo se revela quando olhamos para as próprias fronteiras do colonizador contemporâneo. Enquanto a universidade brasileira exige docilmente o inglês em nome de uma suposta "globalização", os Estados Unidos historicamente sufocam a diversidade linguística em seu próprio território por meio do movimento English-only. Exemplos disso vão desde a brutal Babel Proclamation em Iowa (1918), que baniu por lei o uso de línguas estrangeiras até em ligações telefônicas de imigrantes, até as modernas legislações que cortam verbas públicas para o bilinguismo.

Como explicam os teóricos da decolonialidade, como Aníbal Quijano, a "colonialidade do saber" sobrevive à independência política. A academia brasileira internalizou a ideia de que o conhecimento produzido em português tem menos valor, exigindo que seus próprios cidadãos passem por um crivo estrangeiro para serem validados internamente.

Cosmopolitismo de Fachada X Realidade das Ex-Colônias 

Esse cenário expõe um contraste devastador quando comparado a países que foram ex-colônias britânicas diretas, como Índia, Nigéria ou Cingapura. Nessas nações, a presença do inglês na administração e nos transportes públicos cumpre a função histórica de unificar territórios fragmentados por centenas de etnias locais e é ensinada obrigatoriamente na base estatal. A população fala o idioma fluentemente na esfera pública ao mesmo tempo em que valoriza e preserva culturalmente suas línguas ancestrais no cotidiano. Por isso, os estudantes dessas nações não enfrentam dificuldades intransponíveis em exames universitários na língua europeia: ela fez parte de sua formação estrutural pública.

No Brasil, país massivamente monolíngue, a realidade é o oposto. A febre audiovisual de traduzir anúncios de metrôs e ônibus para o inglês nas capitais serve apenas como um "cosmopolitismo de fachada" para a elite se sentir em Nova York enquanto se desloca por cidades repletas de desigualdade. O Estado gasta energia institucional para que a voz do alto-falante reproduza perfeitamente o sotaque anglo-americano, ignorando que apenas 1% da população brasileira fala inglês fluentemente.

Preconceito Linguístico e a Dupla Violência

Trata-se de uma dupla violência linguística contra a classe assalariada, operada por meio de um teatro pedagógico estatal. Na base da pirâmide, o sistema educacional público — municipal e estadual — insere o inglês na grade curricular apenas para cumprir tabela burocrática, entregando uma didática esvaziada (o eterno "verbo to be") e precarizada. Essa constatação serve como um escudo teórico contra a demagogia liberal que tenta contrapor este ensaio, alegando de forma cínica que o Estado já proporciona essa matéria às crianças pobres e que o aprendizado não seria um privilégio das classes médias e ricas. Essa falácia ignora deliberadamente a barreira material e fonética: exige-se do alunato da periferia o domínio de um idioma de tronco anglo-saxônico, com fonemas e estruturas radicalmente distantes do português de tronco latino, em salas de aula sucateadas e sem laboratórios de áudio, enquanto o próprio sistema falha em fornecer suporte para que esses estudantes se apropriem com segurança da norma padrão de sua língua nativa.

Como denuncia Marcos Bagno em Preconceito linguístico: o que é, como se faz, a própria norma culta do português já é utilizada pela elite brasileira como um "muro" para manter privilégios, criminalizando as gírias e os falares locais legítimos que emergem das comunidades. Posteriormente, quando esse estudante tenta alcançar os cursos superiores, a régua muda abruptamente para o inglês. Para a minoria rica, esse pedágio é irrelevante: suas crianças frequentam colégios privados bilíngues e contam com suporte financeiro familiar para intercâmbios internacionais em Boston ou Londres exatamente com o propósito de blindagem social. Para as classes populares, resta o risco iminente da eliminação por falta de condições materiais básicas.

A justificativa hegemônica da academia de que a literatura científica global se encontra em inglês ignora que o Estado deveria financiar e estruturar um corpo público de tradutores juramentados junto aos órgãos de educação e editoras universitárias. Isso democratizaria o acesso aos acervos globais e geraria postos de trabalho técnico, em vez de transferir o custo financeiro e intelectual da tradução para as costas do indivíduo vulnerável. A barreira do idioma no ensino superior precisa ser revista por lei, tornando-o opcional exceto onde estritamente necessário, como na diplomacia, para que a base da pirâmide possa, finalmente, exercer o direito soberano de produzir ciência em sua própria língua nacional.

📚 Referências Bibliográficas

BAGNO, Marcos. Preconceito linguístico: o que é, como se faz. 15. ed. São Paulo: Loyola, 1999.
BOURDIEU, Pierre. A economia das trocas linguísticas. São Paulo: Edusp, 1996.
PHILLIPSON, Robert. Linguistic Imperialism. Oxford: Oxford University Press, 1992.
QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, Edgardo (org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latino-americanas. Buenos Aires: CLACSO, 2005.
RIBEIRO, Júlio. A Grammatica Portugueza. São Paulo: Typographia de Jorge Seckler, 1881.

🖋️ Sobre o Autor

Ubirajara Rodrigues da Silva é historiador pelas Faculdades Integradas Simonsen, artista plástico pelo Senac e morador de comunidade, território onde desde a infância atuou artística, cultural e politicamente. É pós-graduando em Divulgação e Popularização da Ciência pela Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), especialista (lato sensu) em Ciência, Arte e Cultura na Saúde pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), especialista (lato sensu) em História do Brasil Pós-30 pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e possui especialização (lato sensu) e extensão em Cidades, Políticas Urbanas e Movimentos Sociais pelo IPPUR/UFRJ.

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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

A ENGENHARIA DAS SOMBRAS: O que a Ciência Política Nos Ensina Sobre a Crise da Instituições Brasileiras































Fig. 1. A Engenharia das Sombras. Composição digital que evoca o crepúsculo das instituições imperiais. O Decreto nº 523 de 1847 materializa-se em meio às ruínas do Parlamento e à poeira do tempo, enquanto o feixe de luz projeta a silhueta das Armas Republicanas — uma alegoria visual sobre a persistência dos nossos pecados constitucionais originais. (Concepção artística do autor com auxílio da IA Copilot).

Texto: *Ubirajara Rodrigues da Silva

Uma análise histórica sobre a transição do Império à República e os pecados originais que moldam a nossa atual turbulência institucional.
Categoria: Ciência Política / História Constitucional / Divulgação Científica
Tempo de Leitura: 8 minutos

1. O Organismo Social e a Engenharia das Leis

A política não se reduz a um embate superficial de paixões partidárias ou à disputa fisiológica pelo poder; ela é, na essência, uma ciência dedicada ao desenho e à aplicação de tecnologias de engenharia social. Assim como as ciências biomédicas projetam protocolos e imunizantes para resguardar o organismo vivo, a Ciência Política elabora constituições, pesos e contrapesos para viabilizar e estabilizar a vida em coletividade. Sob essa ótica analítica, o diagnóstico da perene crise de representatividade e da paralisia institucional do Brasil contemporâneo revela um erro crônico no desenho de nossas estruturas de poder, cujas fraturas remontam às contradições do nosso passado monárquico.

2. O Código de Drácon nos Trópicos: A Lei como Contenção Social

A instrumentalização da lei como mecanismo de contenção social e salvaguarda de privilégios oligárquicos não é um fenômeno exclusivo da nossa modernidade periférica. Em 621 a.C., Drácon de Atenas redigiu o primeiro código escrito daquela Cidade-Estado. Embora celebrado por subtrair as normas do monopólio estritamente oral da aristocracia dos Eupátridas, o código draconiano imortalizou-se por seu rigor implacável, punindo quase toda infração com a morte para sufocar o inconformismo das classes subalternas. Guardadas as devidas proporções históricas, uma lógica análoga operou no Brasil Império. Sob o verniz de uma civilidade letrada e parlamentar, erguia-se uma "aristocracia escravocrata" — conceito central na obra de historiadores como Ilmar Rohloff de Mattos. O aparato jurídico imperial, corporificado em dispositivos de exceção como a Lei de 10 de junho de 1835 (que impunha ritos sumários e a pena capital a cativos sublevados), funcionava como um "código draconiano" moderno. A positivação do direito nos trópicos não visava à universalização da cidadania, mas à institucionalização da violência estatal para blindar a propriedade privada sobre a força de trabalho escrava.

3. A "Democracia Coroada": Do Conselho de Anciãos à Monarquia Republicana 

Fig. 2. Decreto nº 523, de 20 de julho de 1847. Documento oficial da Coleção de Leis do Império do Brasil que institui o cargo de Presidente do Conselho de Ministros e formaliza o parlamentarismo no Segundo Reinado. (Fonte: Acervo Histórico / Arquivo Nacional).

É no cerne dessa brutal contradição que o Brasil instituiu, pelo Decreto nº 523 de 1847, a presidência do Conselho de Ministros, consolidando o seu "parlamentarismo às avessas". Ao contrário do modelo britânico, no qual o Parlamento limita o monarca, o arranjo brasileiro utilizava o Poder Moderador como o centro de gravidade do sistema, ditando o revezamento artificial entre as agremiações Liberal e Conservador. Contudo, conforme detalhado por João Camillo de Oliveira Torres em seu clássico A Democracia Coroada, essa engenharia política possuía uma sofisticação teórica singular: o Poder Moderador foi desenhado como um "poder neutro", um aparato técnico de absorção de atritos capaz de impedir que o Executivo e o Legislativo entrassem em colapso recíproco. Esse ecossistema era sustentado por um Senado vitalício que, na análise de Oliveira Torres em Os Construtores do Império, funcionava como uma magistratura de Estado. Como a expectativa de vida no século XIX era baixa, a vitaliciedade era biologicamente breve. O "Conselho de Anciãos" imperial, blindado das pressões eleitorais imediatas e situado no crepúsculo de suas vidas públicas, desfrutava de um desprendimento que permitia debater o projeto de nação a longo prazo — ideal reformista e gradualista que inspirou intelectuais como Joaquim Nabuco, que, na sua obra em Um Estadista do Império, deixa claro que D. Pedro II operava com uma ética de dever tão republicana, desprovida de vaidades dinásticas, que o imperador era, paradoxalmente, o cidadão mais republicano do país. Nabuco via na Monarquia a única tecnologia política capaz de conduzir uma transição pacífica e sem traumas para o fim do escravismo, rumo a uma espécie de "monarquia republicana" ou "coroa democrática".

4. O Espelho do Parlamento: Entre o Refinamento e o Fisiologismo

Mesmo essa sofisticada arquitetura, todavia, não era imune ao fisiologismo. Em suas memórias em Oito Anos de Parlamento, Afonso Celso despiu-se do ufanismo nacionalista para atuar como um arguto observador da sociologia política de sua época. Ele registrou com fina ironia o comportamento muitas vezes tumultuado dos parlamentares do Segundo Reinado, explicitando o abismo existente entre o refinamento dos debates na Corte e a realidade de um país estruturalmente cindido.

5. O Pecado Original da República: Da Centralização à "Monarquia Presidencial"

A ruptura republicana em 1889 fragmentou traumaticamente essa centralidade institucional. Ao importar de forma acrítica o presidencialismo federativo norte-americano, o Brasil substituiu o Estado Unitário por uma descentralização predatória. Como bem demonstrou Raymundo Faoro em sua tese sobre o estamento burocrático, a eliminação do poder regulador central entregou o controle territorial aos chefes locais, inaugurando o mandonismo do coronelismo. João de Scantiburgo, em A Crise da República Presidencial, demonstra de forma magistral que a eclosão da "política dos governadores" na República Velha foi o arranjo espúrio encontrado para suprir o vazio deixado pelo Poder Moderador. Sem uma instância arbitral neutra, o governo central passou a permutar verbas e impunidade pelo apoio cego das bancadas estaduais, forjando o que Hindemburgo Pereira Diniz conceituou como uma "monarquia presidencial" — um sistema hipertrofiado onde o governante acumula prerrogativas quase absolutistas, tornando-se refém da barganha permanente para viabilizar sua sobrevivência política.

6. O Supremo como Árbitro e o Vazio da Legitimidade

Na Nova República, o desenho constitucional buscou preencher esse vácuo sistêmico transferindo a tutela da estabilidade para o Supremo Tribunal Federal (STF). Na dinâmica contemporânea, o STF passou a exercer, por vias transversas, o papel prático de um Poder Moderador coletivo. Ocorre que, como adverte o historiador José Murilo de Carvalho ao analisar os paradoxos da cidadania no Brasil, a legitimidade de uma corte constitucional repousa estritamente na percepção de sua neutralidade técnica e distanciamento do jogo partidário. Ao ser arrastada para o epicentro das paixões políticas e sofrer um severo processo de descrédito público, a Suprema Corte perde a autoridade de arbitragem legítima, deixando a democracia à mercê de crises cíclicas e do veto mútuo entre as instituições políticas.  

7. A Degradação Senatorial e o Horizonte de Curto Praz

Esse cenário de anomia é agravado pela profunda degradação do perfil do Senado contemporâneo. O aumento expressivo da expectativa de vida transformou a maturidade biológica em longevidade ativa, mas esse bônus temporal não se traduziu em acúmulo de sabedoria institucional ou elevação humanitária. Embora amparados pelo mandato mais longo do sistema republicano, muitos senadores hoje agem sob o signo do pragmatismo miúdo e do curto prazo. Distantes da estatura filosófica que a investidura tradicionalmente pressupõe, reduzem-se a defensores de interesses de grupos econômicos ambiciosos e gestores de emendas orçamentárias, desonrando a vocação histórica da câmara alta como espaço de reflexão ponderada da nação.

8. Alternativas de Desenho Constitucional: O Legado Anglo-Canadense

Diante do esgotamento desse modelo bicameral, a Ciência Política nos oferece o instrumental teórico para deduzir reformas estruturais ousadas. Se o Senado contemporâneo alienou sua função moderadora para converter-se em trincheira de oligarquias regionais, a sua extinção e a transição para o unicameralismo surgem como caminhos viáveis de reorganização do Estado. Um Congresso unificado, estruturado em consonância com as representações sociais reais e as forças vivas da sociedade civil, seria capaz de responder de forma ágil, transparente e direta ao bem comum, resgatando a missão desenvolvimentista do Poder Legislativo.

A viabilidade de conciliar governança geral unificada, autonomia regional e lisura democrática encontra respaldo empírico no modelo anglo-canadense. O Canadá, ao estruturar uma federação fortemente centralizada em sua origem e gerida pelo parlamentarismo de Westminster, comprova que as demandas das províncias podem ser canalizadas de forma transparente e estável, sem que o tecido político seja capturado pelo clientelismo ou pelo arbítrio que historicamente assolam o presidencialismo brasileiro.

O diagnóstico científico da crise nacional demonstra, em última análise, que o Brasil não padece de uma disfunção moral atávica de seu povo, mas sim de graves e sucessivos erros de engenharia em suas instituições de poder. Superar a paralisia do presente e edificar uma nação de fato brasileira exige a coragem de romper com fórmulas republicanas obsoletas e aplicar, com rigor conceitual e desprendimento político, um novo desenho constitucional verdadeiramente comprometido com a coletividade.

*Historiador e artista plástico, professor de arte e cultura; diretor do IBMult

9. Referências Bibliográficas 

 CARVALHO, José Murilo de. Cidadania no Brasil: o longo caminho. 25. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018.

CELSO, Afonso. Oito Anos de Parlamento: reminiscências e notas. Brasília: Senado Federal, 2003.

DINIZ, Hindemburgo Pereira. A Monarquia Presidencial. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

FAORO, Raymundo. Os Donos do Poder: formação do patronato político brasileiro. 5. ed. São Paulo: Globo, 2012.

MATTOS, Ilmar Rohloff de. O Tempo Saquarema: a formação do Estado imperial. 5. ed. São Paulo: Hucitec, 2004.

NABUCO, Joaquim. Um Estadista do Império. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1975.

SCANTIBURGO, João de. O Poder Moderador: história e teoria de um direito político. São Paulo: LTr, 1980.

SCANTIBURGO, João de. A Crise da República Presidencial. São Paulo: Pioneira, 1991.

TORRES, João Camilo de Oliveira. A Democracia Coroada: Teoria de Estado no Império do Brasil. Rio de Janeiro: José Olympio, 1957.

TORRES, João Camilo de Oliveira. Os Construtores do Império: Ideais e Lutas do Partido Conservador Brasileiro. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1965.

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segunda-feira, 7 de abril de 2025

ISOLEMOS OS ESTADOS UNIDOS. ELES SE VIRAM SOZINHOS ENTRE ELES NUMA REDOMA! Conversa entre amigos do bloco unidos de la ficção.


- Deixe os Estados Unidos se virar sozinho, pô!

- Deixemos de lado os princípios comerciais regidos até agora nas relações com eles!

- Negociemos entre nós mesmos sob novos princípios comerciais. Se eles quiserem entrar que entrem, mas sob novas diretrizes humanitárias.

- A economia deve vigorar sob a égide colaborativa sem moeda hegemônica pendente para beneficiar um lado somente como tem sido até agora com o dólar que verte lucros extorsivos para USA...

- Que as nossas moedas alcancem maior poder de compra nos limites dos nossos países

- Os estadunidenses que se virem!

- Isolem-se!

- Temos condições de nos isolarmos deles.

- Ignoremos esses governos insensatos. Que se atritem entre eles...

- Bomba atômica? Isso foi somente sobre o indefeso Japão daquela época!

- Eles não são donos nem polícia do mundo!

- Seria melhor construírem uma redoma de proteção ultra resistente, porque não teriam dispositivos antiaéreo de defesa capazes de bloquear inúmeros mísseis sendo disparados sobre eles numa sequência milionésima de segundos ou em menos tempo entre um disparo e outro.

- Nosso público consumidor soma bilhões de pessoas ao redor do mundo!

- Deixemos os Estados Unidos se ferrar lá entre a ambição doentia deles!

- Atualizemos nossos mercados comuns em função de uma Nova Ordem Mundial de fato...

- Não nos preocupemos se USA quer ou não ingressar nisso!

- Não pode somente os ricos usufruírem do bem-estar!

- Abaixo a hipocrisia liberal de mercado: maldade que mata de fome 
milhões de pobres pelo mundo afora! 

terça-feira, 30 de abril de 2024

AGENTES HUMANITÁRIOS INTERNACIONAIS DEVERIAM OCUPAR GAZA PARA EVITAR QUE ISRAEL MATE MILHARES DE INOCENTES

    Por causa da morte de mil e poucos israelitas, vítimas de ataque do Hamas, Israel que já matou por volta de 30 mil habitantes de Gaza, maioria crianças e mulheres, a qualquer momento pode matar mais inocentes em Rafah, no extremo-sul da Faixa de Gaza, onde centenas de milhares de pessoas caminham desnorteadas a procura de comida e abrigos. Se vacilar, o holocausto do povo de Gaza pode chegar a milhões de mortes desnecessárias. 
   As ditas potências ocidentais muito falam pela paz mas continuam financiando armas letais. 
    A atitude mais eficaz para inibir os ataques seria esses países mandarem agentes humanitárias ocuparem Gaza a fim de prestar diretamente assistência humanitária ao povo palestino de Gaza em apuros.

quarta-feira, 29 de novembro de 2023

A VIOLÊNCIA ESTÁ NO PROJETO CAPITALISMO - a voz da experiência de um militante do Movimento das Comunidades Populares (MCP), José Bezerra de Araújo, morador de Manguinhos, RJ.

 


“A gente vive um modelo falso de sociedade no qual, até essa palavra, sociedade, é uma mentira. No sistema que a gente vive tudo é feito para controlar o povo com mentiras. Mentiras que existem para as pessoas não verem as causas dos problemas. As pessoas só conseguem ver as consequências dos problemas que vivemos. A situação é muito complexa. O modelo econômico é esse que está aí mesmo. No projeto capitalista está a violência. A violência é a forma de manter as pessoas acuadas sem capacidade de reagir, incapaz de fazer alguma coisa. Isso aí está no projeto capitalista. Então, todos que entram para administrar por meio de eleições, é, para administrar isso. As eleições são uma farsa sobre a democracia no Brasil. Nunca existiu democracia no Brasil. Todas as pessoas que assumem a administração pública até falam nesse assunto antes da eleição, mas depois que chegam lá, trabalham nesse projeto capitalista. Então, esse projeto capitalista, é, cada vez mais, arrochar um pouquinho mais, e, a violência é uma forma de diminuir essa população sobrante, a qual o sistema não está mais precisando. Quanto mais enfraquecer essas classes, melhor para o controle. Diante de tudo isso, é muito importante termos os pés no chão, e, se quiser fazer alguma coisa, é um trabalho a longo prazo. Eu não vejo solução a curto prazo. Esse tem de ser um projeto a longo prazo, que é preciso ir para as bases. Semana passada teve um economista do IPEA aqui (Carlos Ocké), Ele foi muito claro. Ele disse que só a sociedade pode dar jeito nessa situação que a gente atravessa. Estou com os pés no chão para trabalhar. Estou com 70 anos, não sei por quanto mais tempo eu vou viver, mas enquanto eu respirar, eu vou está trabalhando para isso aí. Eu sei que e difícil, mas mais difícil ainda é não fazer nada.” 

Palavras de José Bezerra de Araújo, Conselheiro do CGI e militante do   MCP Manguinhos, na ENSP/Fiocruz, na reunião preparatória da oficina "Território, violências e cidadania” do grupo de trabalho da Fiocruz, construindo diretrizes para definição de uma política desta instituição para tratar das relações entre saúde e os diferentes tipos de violências que afetam a vida no Brasil. Mais um pouco da voz do Bezerra em https://www.youtube.com/user/enspcci

Entrevista ao Instituto de Estudos Libertários

  


segunda-feira, 27 de novembro de 2023

PASSAGEM SUBTERRÂNEA ESTAÇÃO DO METRÔ FLAMENGO/MORRO AZUL: DO DESCASO DO METRÔ RJ À INDIFERENÇA DA POPULAÇÃO

     Atualmente esta passagem é desprezada tanto pela Companhia do Metropolitano do Rio de Janeiro, que tendo responsabilidade administrativa sobre a área da antiga estação Morro Azul e atual Flamengo, talvez por discriminação social, não dá o tratamento adequado, ao contrário: por muitas vezes, arbitrariamente a mantém fechada, assim como também, significativo número de moradores da favela, que, talvez deixaria de arriscar suas vidas atravessando por cima pela Rua Paulo Sexto, se acontecesse uma tragédia. Isso já aconteceu, mas caiu em total esquecimento: foi o caso do Sr. Marinho que costumava sempre usar esse subterrâneo, até que o Metrô alegando segurança o fechou em 2003 e construiu uma tosca escada ao lado. Foi aí que o Sr. Marinho, ao atravessar a avenida sofreu uns arranhões de um veículo que o acertou. Foi parar no pronto-socorro, mas após esse incidente, adoeceu, vindo a falecer pouco tempo depois. Imagina-se que tudo isso veio a acontecer como decorrência do fechamento da passagem subterrânea. Na época o Sr. Marinho já era idoso. Eu o conheci, e, lembro de ter sido muitas as vezes que encontrava com ele passando com segurança pelo subterrâneo, e na caminhada até à estação do Metrô dava tempo para um bom papo. Mas isso são água passadas que não movem moinhos. O certo foi que, anos depois, quando se resolveu reabrir de má vontade a passagem subterrânea, infelizmente grande maioria dos passantes já estava condicionada a atravessar a rua em cima. Daí, com frequência, a administração da estação, sem explicar por qual motivo, não abre a passagem, assim colocando em risco principalmente as vidas das pessoas que ainda passam por alí. 

sexta-feira, 26 de junho de 2020

UM VÍRUS VEM LOUCO (fazendo revolução)



UM VÍRUS VEM LOUCO
de Ubirajara Rodrigues da Silva

OI, GENTE, O PLANETA TERRA ESTÁ PENSANDO NOS JARDINS QUE DEIXAMOS DE PLANTAR
SALGAMOS COM LÁGRIMAS TANTA BELEZA
SUFOCAMOS SEM PENA COM VÉU MORTAL A NATUREZA DE DEUS, DE TANTOS EUS
COISA QUE ESTÁ SENDO DESTRUÍDA COM ENORME INSENSATEZ, DA RAZÃO

VEM, VAMOS OLHAR PROFUNDO NOS OLHOS
ENTRELAÇANDO NOSSA ENERGIA
VEM, NA SONORIDADE DO AMOR
QUE QUER CANTAR, QUE QUER DANÇAR NA LEVEZA DO SER
BELEZA NATURAL, LIBERDADE É LEMA NA CABEÇA DA GENTE DE PAZ

VEM, VAMOS TRANSFORMAR O ÓDIO
DESCARREGAR A DOR
COLOCAR A VIDA NO PÓDIO
INSPIRANDO QUEM SOFREU E CAIU A LEVANTAR E LUTAR FEITO LUZ
QUE QUER CANTAR, QUE QUER DANÇAR NA LEVEZA DO SER
BELEZA NATURAL, LIBERDADE É LEMA NA CABEÇA DA GENTE DE PAZ

OI, GENTE, ESTÁ ROLANDO AGORA O TEMPO DO “NOVO NORMAL” (NUEVO ORDEN MONDIAL)
PRA TODO MUNDO EQUALIZAR OS CORAÇÕES
EVOLUIR
É ALGO CHAMANDO ATENÇÃO PRO VALOR DO AMOR
SABE QUEM É?
É UM NOVO VÍRUS QUE VEM LOUCO FAZENDO REVOLUÇÃO